08/10/10

A Informação.

É uma vergonha não vos escrever nada durante um mês e sete dias, desculpem esta indesejada ousadia.

Hoje à tarde, mais precisamente na casa das 3h, eu estava situado na biblioteca municipal de Sintra. Estava a estudar física de 10ºano para um teste que vou ter na quarta. E, sendo hoje segunda, bom... estou um bocado apertado de tempo. Mas enfim, este reflexo não é sobre o estudo em si, mas sobre o que o estudo me proporcionou.
Ora bem, o que aconteceu foi complicadamente simples. Criou-me dúvidas ínfimas e estranhos sentimentos. Lá eu estava, sozinho, na biblioteca. "Sozinho", porque ainda lá pereciam as funcionárias e umas quantas alminhas estudiosas. À vista, é que eu não possuía ninguém. Ainda ouvia alguém a treinar flauta na sala da música e alguém do outro lado das estantes a escrever. Além disso, ouvia-se a trovoada a cair lá fora e a chuva a dançar nos vidros da biblioteca.
Eu já estava quase a acabar um exercício quando dei conta de que já não ouvia a flauta à algum tempo, e calculei que a pessoa se tivesse ido embora. Acabei o exercício e decidi esticar as pernas. Levantei-me e fui ao café. Pelo caminho, fui procurando pelas outras pessoas que eu pensava lá estarem. Nada, nem ninguém, a minha vista alcançou. Não achei estranho, também já eram sete e um quarto e o tempo não era o melhor. Enfim, lá me despachei no café, que também estava vazio, diga-se por passagem, e voltei à minha mesa. Só me faltavam dez exercícios e tinha a matéria teórica estudada e aplicada em todos os exercícios do livro. Voltei calmamente mas por outro caminho, para me verificar se estava realmente sozinho na biblioteca. E, entre as estantes que continham Affonso de Dornellas e Alexandre Andrade, estava um rapaz. Devia estar a estudar matemática, visto que estava a utilizar folhas quadriculadas. Sorri ao pensar que não era o único deprimente a gastar as suas tardes a estudar, enfiado numa biblioteca pública enquanto havia uma tempestade para lá das janelas e paredes. Voltei ao meu lugar e sentei-me. "Onde está o meu lápis", perguntei a mim mesmo. Não o via em lado nenhum.. "Ah, estavas aí!", afirmei ao descobri-lo na orelha enquanto coçava a cabeça. "Então e a borracha?", ela não estava em cima da mesa, nem nas orelhas... Olhei para o chão e "Como é que foste aí parar?" lá estava ela. Inclinei-me para a apanhar, estiquei-me todo e, quando estava quase a alcança-la, caí da cadeira. Coisa normal, para um descordenado como eu. "Só podia, não é?" pensei enquanto me ria, sentado no chão. "Bom, ao menos ninguém viu." e, enquanto me apoiava na mesa para me levantar, dei de caras com um post-it verde, em cima da mesa. "Mas que raio.., que é isto?" Eu não utilizo coisas daquelas, como é que está uma em cima da mesa? Levantei-me e reparei que o post-it tinha algo escrito. Depois de ler, desatei a correr à procura de quem poderia ter deixado lá o post-it. O rapaz já não se encontrava lá, o café tinha fechado, as funcionárias estavam lá fora a caminho dos seus carros e a única pessoa que restava, era o segurança que estava a começar a fechar as divisões. Mandou-me arrumar as coisas e sair porque a biblioteca ia fechar. Ele não sabia que eu ainda lá estava e acompanhou-me para se certificar que eu não ia tentar lá ficar escondido ou algo semelhante.
Até agora, só tenho acesso a uma informação. Uma informação caída do céu e trazida por um anjo. Uma informação secreta e preciosa para mim.

Now, my life is complete. Thank you, angel.

8 comentários:

J. disse...

Brilhante *.* É a única coisa que me ocorre!

ana moura disse...

adorei e fiquei super curiosa, confesso!

Sofia disse...

Uau! É bastante curioso!
Adorei a forma como escreveste :)

Qéé disse...

o que eu imaginei melhor foste tu a cair da cadeira, xDD

tiago rocha disse...

incrível. a ilusão ás vezes é tão boa.

Ki disse...

É giro quando nos deixam mensagens, não é?

danó disse...

a forma como tu escreves fascina-me «3

tiago rocha disse...

"seguir em frente, não parar em obstáculos"