Estava prestes a encontrar-me contigo, mais uma vez. Era daqueles nossos encontros às escondidas em que, no meio de todos, criavamos o nosso cantinho. Das últimas vezes tinha sido na piscina, no complexo desportivo e, hoje, era no festival da praia à noite. As dunas de areia suportavam o meu peso que, deitado, esperava por ti. Enquanto isso, com o barulho de uma multidão como pano de fundo, observava o mar bravo e a brisa bruta. Tinha um sorriso, simples e modesto, nos lábios e o cabelo húmido, juntamente com o resto do corpo, devido às gotículas de água que o vento me trazia.
Era quase meia noite, já, e tu ainda não tinhas aparecido. Não estava preocupado, de todo. Sabia que estavas bem e que estarias quase a chegar, com todo o teu amor para mim, como sempre. O pessoal gritava e ria alto e aos céus, como se não houvesse amanhã. Ouvia-se copos de vidro a bater e música a encher o ar que respirava.
- Já tinha saudades tuas, sabes? - como era rica, a tua voz.
Assustei-me. Levantei-me demasiado rápido e caí para trás.
- O mesmo tonto de sempre, não é Ed? - riste-te.
- A terra moveu-se descontroladamente neste sítio, não foi culpa minha! - respondi tentando manter um ar sério.
- Total razão, meu bem. Vá, de pé. - com uma mão de ajuda, consegui levantar-me.
Fiquei bem junto de ti, a ouvir cada vez menos o que me rodeava. Concentrei-me só na tua respiração, no teu coração a bater e no ressoar das ondas na areia.
- Parabéns, Ed. - e beijaste-me.
25/04/11
24/04/11
22/04/11
17/04/11
24.
- Pelo que vejo aqui no histórico, nunca falámos muito.
- Sim, isso também é verdade.
Ela já estava farta que se atirassem a ela daquela maneira. Digamos que não eram todos os dias, mas ela já estava verdadeiramente farta. As coisas em casa não estavam nada bem, com a inútil crise económica e com a sua auto-determinação para contar aos seus pais e aos seus dois irmãos que, de facto, estava pronta para partir e não voltar. Apagar a sua vida antiga e começar uma nova.
- Olá, o meu nome era Sandra e agora é Mel.
O futuro que ela via nesses pensamentos, o futuro que ela via.
Só havia a desejar e a esperar que o seu patrão que pagasse o ordenado para poder, finalmente, sair do pais em busca de liberdade e de espairecimento. Queria esquecer os problemas que tinha em casa, por uma semana. Queria esquecer a escassez do dinheiro dos pais, por uma semana. Queria fugir aos rapazes que se atiravam a ela, irritantemente, por uma semana. Queria fugir da sua vida, por uma semana. Queria fugir, também, dele. De entre muitas coisas que ela não percebia, era como é que o coração funciona conjuntamente com o cérebro. Como é que dois opostos se conseguem entender? Pois a cabeça dela, toda organizada no mais belo dos escritórios, que dizia para o esquecer e que tinha a certeza de estar bem assim, sozinha, batalhava dias e dias com o seu coração, como se fosse uma piscina de bolas coloridas, lhe dizia que tinha que voltar para ele, tinha que voltar a sentir os seus lábios, tinha tinha tinha. Era complicado e ela não gostava da situação onde se encontrava.
- É só esperar pelo ordenado, esperar pelo aniversário e jantar de família e ponho-me a andar. Só mais uma semana, Mel, aguenta-te.
Força de pensamento, era tudo o que tinha.
- Sim, isso também é verdade.
Ela já estava farta que se atirassem a ela daquela maneira. Digamos que não eram todos os dias, mas ela já estava verdadeiramente farta. As coisas em casa não estavam nada bem, com a inútil crise económica e com a sua auto-determinação para contar aos seus pais e aos seus dois irmãos que, de facto, estava pronta para partir e não voltar. Apagar a sua vida antiga e começar uma nova.
- Olá, o meu nome era Sandra e agora é Mel.
O futuro que ela via nesses pensamentos, o futuro que ela via.
Só havia a desejar e a esperar que o seu patrão que pagasse o ordenado para poder, finalmente, sair do pais em busca de liberdade e de espairecimento. Queria esquecer os problemas que tinha em casa, por uma semana. Queria esquecer a escassez do dinheiro dos pais, por uma semana. Queria fugir aos rapazes que se atiravam a ela, irritantemente, por uma semana. Queria fugir da sua vida, por uma semana. Queria fugir, também, dele. De entre muitas coisas que ela não percebia, era como é que o coração funciona conjuntamente com o cérebro. Como é que dois opostos se conseguem entender? Pois a cabeça dela, toda organizada no mais belo dos escritórios, que dizia para o esquecer e que tinha a certeza de estar bem assim, sozinha, batalhava dias e dias com o seu coração, como se fosse uma piscina de bolas coloridas, lhe dizia que tinha que voltar para ele, tinha que voltar a sentir os seus lábios, tinha tinha tinha. Era complicado e ela não gostava da situação onde se encontrava.
- É só esperar pelo ordenado, esperar pelo aniversário e jantar de família e ponho-me a andar. Só mais uma semana, Mel, aguenta-te.
Força de pensamento, era tudo o que tinha.
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07/03/11
Singelo.
Eles estavam, os dois, sentados no muro do quintal dele. Ouviam-se as músicas das festividades de uma localidade que ai se avizinhava, graças à força da suavidade do vento. Estavam os dois encostados um ao outro, de mãos dadas, a olhar as estrelas e com aquela música de carrinhos de choque, pouco romântica, a soar-lhes aos ouvidos.
- Amo-te - disse ele inesperadamente para cortar o silêncio que já era palpável à demasiado tempo.
- Eu sei que me amas, Ed. E eu também te amo mas as coisas não têm que ser assim. - era quase tão fria como a noite escura que se preparava para rebentar.
Dito isto, levantou-se e entrou dentro de casa. Agiu como se fosse sua, a casa, mas ele nem reparou nisso. Deixou-a entrar e, após ter ouvido a porta a fechar-se, deitou-se onde ela estivera segundos antes. Tapou-se até ao pescoço com a manta que os tinha protegido da humidade e da frescura, e continuou a contemplar as estrelas. Sozinho, está claro. Esperou que ela voltasse, mas sabia que ela não o iria fazer. Quando já estava demasiado frio e as suas orelhas já estavam cheias de lágrimas por estar deitado de costas, Ed levantou-se e entrou, também, dentro da sua casa. Dirigiu-se ao quarto e reparou que a luz estava ainda acesa. Abriu suavemente a porta e espreitou lá para dentro. Ela dormia. Aparentemente, também tinha esperado que ele voltasse para dentro, mas tinha acabado por adormecer enquanto isso. Ele entrou, fechou a porta suavemente, tirou os chinelos e deitou-se. Aconchegou-a bem, demasiado bem, apagou a luz do candeeiro, e preparou-se para dormir. Virou-lhe as costas, triste.
- Finalmente vieste. – A voz dela não passava de um sussurro.
Ela deitou-se de modo a que o seu peito fica-se em contacto com as costas dele, passou o braço direito por cima do braço direito dele e agarrou-lhe a mão direita. Beijou-lhe a nuca e desejou-lhe boa noite.
- Eu volto sempre, Mel. – Respondeu Ed.
E adormeceram os dois, uma vez mais.
- Amo-te - disse ele inesperadamente para cortar o silêncio que já era palpável à demasiado tempo.
- Eu sei que me amas, Ed. E eu também te amo mas as coisas não têm que ser assim. - era quase tão fria como a noite escura que se preparava para rebentar.
Dito isto, levantou-se e entrou dentro de casa. Agiu como se fosse sua, a casa, mas ele nem reparou nisso. Deixou-a entrar e, após ter ouvido a porta a fechar-se, deitou-se onde ela estivera segundos antes. Tapou-se até ao pescoço com a manta que os tinha protegido da humidade e da frescura, e continuou a contemplar as estrelas. Sozinho, está claro. Esperou que ela voltasse, mas sabia que ela não o iria fazer. Quando já estava demasiado frio e as suas orelhas já estavam cheias de lágrimas por estar deitado de costas, Ed levantou-se e entrou, também, dentro da sua casa. Dirigiu-se ao quarto e reparou que a luz estava ainda acesa. Abriu suavemente a porta e espreitou lá para dentro. Ela dormia. Aparentemente, também tinha esperado que ele voltasse para dentro, mas tinha acabado por adormecer enquanto isso. Ele entrou, fechou a porta suavemente, tirou os chinelos e deitou-se. Aconchegou-a bem, demasiado bem, apagou a luz do candeeiro, e preparou-se para dormir. Virou-lhe as costas, triste.
- Finalmente vieste. – A voz dela não passava de um sussurro.
Ela deitou-se de modo a que o seu peito fica-se em contacto com as costas dele, passou o braço direito por cima do braço direito dele e agarrou-lhe a mão direita. Beijou-lhe a nuca e desejou-lhe boa noite.
- Eu volto sempre, Mel. – Respondeu Ed.
E adormeceram os dois, uma vez mais.
19/02/11
Já no activo, (:
Aroo, queridos seguidores e não seguidores. Estou de volta ao activo, com o meu computador de volta. FINALMENTE! E, para começar em grande, espero, deixo-vos o primeiro capítulo de uma história. Esta história está a começar a existir porque me inscrevi num Concurso de Escrita Colaborativa da Biblioteca da minha escola e que consiste em escrevermos (eu e toda a gente que entrou no concurso) um primeiro capítulo de uma história. Todos os primeiros capítulos vão ser lidos pelos júris e, de entre todos, um vai ser escolhido para sofrer continuação. Nesta segunda fase, todos terão que escrever um segundo capítulo para o primeiro eleito e sucessivamente. No final será eleito um vencedor que receberá o devido prémio! Aqui fica o meu primeiro capítulo e desejem-me sorte, :)
"
- Deus queira que isto acabe depressa - pensei ao ver que ainda faltava mais dois exercícios para, finalmente, finalizar os trabalhos de casa de matemática - Esta professora tinha fama de ser má, mas de má nada tem. Nada excepto o facto de mandar páginas e páginas de trabalhos de casa, mas isso são pormenores... Mas o que realmente me interessa neste momento é acabar os restantes exercícios para poder estudar filosofia, visto que tenho teste na quinta-feira e hoje já é terça-feira.
Mas o cansaço e o silêncio absoluto, não estão a facilitar o processo. Não tinha dormido nada devido à corrente de sonhos que invadiram o meu subconsciente nessa noite. E, antes que me pudesse concentrar outra vez no que devia, deixei a mente monologar acerca do sucedido…
Sonhei, outra vez, contigo. Bom, não foi só contigo, mas acho que só tu interessavas. Como sempre, foste o foco de luz da minha noite. E sim, lá estávamos nós os dois, embrenhados no meio de tanta gente conhecida e sem nos falarmos. Nem um olhar trocado, nem uma simples frase, nada.
- Concentra-te na lógica da matemática – pensei voltando à terra - e esquece a subjectividade desse sentimento. Tu és racional, não irracional.
Forço-me a desviar a minha atenção para os trabalhos de casa, o que realmente era suposto fazer. E, na minha cabeça, os pensamentos não param:
- Ora bem, a função x é um meio de x vezes quatro x ao quadrado, mais sete x e menos três terços de x ao cubo… Defina (…)
Passados quinze minutos já tenho os trabalhos todos feitos e certos, graças às soluções, pensei e sorri. Arrumo as coisas de matemática e tiro as de filosofia. Abro o caderno e…
- Então Edmundo, não fostes à aula?
Olhei para cima, era a Mafalda com o seu cabelo ligeiramente húmido por causa da chuva e apanhado num totó mesmo no cimo da cabeça.
- Pelos vistos não, certo? – Respondi secamente.
A resposta fora forçada. Sinceramente, não me apetecia muito estar a falar com ela. Ainda por cima ela tinha admitido à duas semanas que estava interessada em mim. Interesse este que não era mútuo e tornava a situação um tanto desagradável.
- Oh, sim! – Ela revirou os olhos - Mas porque é que não foste? Não te apeteceu?
– E pronto, - pensei - tinha que vir aquele toque de ironia no final da pergunta e o olhar de desprezo... Típico teu!
- Exacto, não me apeteceu. Ainda por cima tinha coisas de outras disciplinas pendentes e decidi pô-las em dia. Mas como é que sabes que não fui à aula?
- Agora só me faltava ela andar a seguir-me. – Pensei antes de me repreender - Que ridículo, já estás com a mania da perseguição!
- Porque a Maria Correia perguntou por ti. Disse que tinha ido distribuir as cartas do Dia dos Namorados, ela é quem está a tratar dessa actividade em âmbito de uma disciplina qualquer, mas já sabias disso não já?, bom e ela disse-me que tinha uma carta para te entregar e que não estavas lá. – Com um gesto de mão ela tentou apanhar uma mecha de cabelo que não estava lá - Acabei de me cruzar com ela no corredor quando me dirigia para aqui quando ela perguntou-me se te tinha visto.
- Sim sim, sabia disso. Obrigado, e já agora se a tornares a ver diz-lhe que estou aqui. – Ela ia continuar a falar mas fui mais rápido silenciando-a - Agora, se não te importas, tenho que começar a estudar.
- Uma carta? – Pensei - Só pode ser da Catarina, ou da Margarida ou até mesmo da Cláudia. Só elas para me escreverem uma carta no Dia dos Namorados. Mas, será dela? (…)
- Finalmente – pensei ao sair da aula de química – estou mesmo farto disto. Só quero ir para casa e sentar-me no meu puff!
- Edmundo! Ed! Espera aí! – Correia, sem dúvida.
- Olá Correia, diz-me. – Nem olá, nem adeus… andas mesmo mal-educado, repreendi-me.
- Era para te entregar a uma carta do Dia dos Namorados! Toma, – remexeu na sua mala roxa, que eu sempre gostei, e retirou um envelope, bege, A4, e entregou-mo – aqui tens! E não vem assinada, deve ser uma admiradora secreta, hehe.
- Pois, deve ser. Bom, um bom fim-de-semana, beijinhos.
Peguei na carta – foi mais arrancada da mão dela do que outra coisa ed, comporta-te! – e segui caminho para a estação. Mas, ao chegar ao portão da escola deparei-me com o porteiro a esperar que toda a gente passa-se o cartão escolar na máquina para que déssemos saída.
- Óptimo, excelente! – Exclamei.
Atirei a mala de educação física e do ginásio que pesava toneladas para o chão molhado da chuva, e, ao tentar tirar a carteira do bolso com a mão esquerda e tentava prender a carta entre os meus lábios enquanto segurava a mala da escola com a mão direita, deixei-a cair. Agora, com ambas as mãos ocupadas, era impossível agarrar a carta. E assim fiquei a vê-la voar até cair ali perto, no chão.
- Formidável. – A ironia predominava na minha voz apenas audível para mim.
O meu eu interior já nem me repreendia nem se dava ao trabalho de dizer fosse o que fosse. Passei o cartão e arrumei-o na carteira o mais rapidamente possível para poder apanhar a carta. Não que me interessa-se muito, mas talvez porque tinha uma réstia de esperança que fosse dela.
- Não é, para com isso. – Disse-me o meu eu interior. – Pára com essas fantasias, esquece-a!
Atravessei a torrente de corpos que me empurravam para a saída da escola arrastando as malas pelo chão, literalmente. Quando finalmente alcancei a carta, peguei nela com o ódio a pulsar-me nas veias e metia no bolso sem cuidado algum. Saí da escola, fui para a estação, onde cheguei quase todo encharcado.
- É só para te melhorar o que resta do teu dia, felizmente. A seguir devo levar com um raio e ser atropelado por um óvni, pelo andar das coisas. – Apesar de toda a frustração que sentia, não fui capaz de não sorrir ao pensar no que acabara de dizer.
Mal cheguei a casa, larguei as malas perto do aquecedor para que pudessem secar, tirei as botas e as meias que pingavam água, literalmente, peguei no pijama e numa nova muda de peça interior e dirigi-me para a casa de banho. Despi-me e pus a água quente a correr enquanto tapava o ralo da banheira.
- Um banho de imersão e uma bela noite de sono, tudo perfeito. – Pensei ao entrar na água e ao deitar-me no chão da banheira. A água quente produzia vapor ao tocar na minha pele, molhada, e gelada, e provocava-me arrepios desde a nuca até às coxas. Todo eu tremia em contacto com aquele calor puro, eficaz.
Nunca mais me lembrei da carta que tinha retirado no bolso e posto em cima da cama, ainda por fazer, esquecida. Talvez tenha perdido o interesse ou até mesmo a fé que tinha depositado naquele simples e frágil objecto de que talvez, e só talvez, fosse dela. Mas lá no fundo, eu sabia que nunca poderia ser dela, nunca. Mas, se eu tivesse tomado atenção naquela altura, talvez teria visto algo que, por muito insignificante que fosse, poderia mudar o rumo de toda a minha vida. A verdade é que, com toda a agitação, dentro e fora de mim, não cheguei a reparar que a carta, de facto, tinha um remetente evidenciado na parte exterior do envelope. Mas à medida que o tempo passava, o nome da pessoa ia ficando cada vez mais parecida com uma simples mancha de tinta. Até que, o inevitável aconteceu: enquanto eu adormecia na banheira, o nome (dela, ou não) esborratou-se completamente.
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13/01/11
20/12/10
Sonhar.
Enquanto dormia profundamente, ontem, algo me fez acordar sobressaltadamente. Pensei que me tivessem a bater à porta, mas quando me sosseguei e acalmei, apercebi-me que era, apenas, o vento a levar o gelo que caía das grandes alturas contra as minhas janelas e portas. Fiquei curioso para ver a tempestade que se encontrava lá fora. Como eu adoro este tempo, pensei eu enquanto calçava as pantufas e ajeitava o pijama. Agora, enquanto saía do quarto, pé ante pé, o vento fustigava com uma força suprema a chuva. Deixara de ser o gelo e passara a ser a chuva. Mesmo assim, quero-te ver, pensei. Continuei a caminhar até ao meu alpendre. Sempre adorei aquele alpendre, todo feito de vidro duplo que dava para uma vista da cidade, por um lado, e da serra, pelo outro, por inteiro. Ainda conseguia ver o céu no seu poderoso lugar. Alí, perante um mundo submerso numa tempestade, eu sentia-me pequeno. Realmente pequeno. Olhei para os vidros, dois metros e meio acima da minha cabeça, que levavam com trombas de águas incansáveis, que reflectiam cada relâmpago que rompia os céus e que pareciam tão frágeis perante tamanha tempestade. Reinava a escuridão nos intervalos de tempo em que um relâmpago dava origem a outro. Até que, durante um pequeno instante, houve uma pequena brecha por entre as nuvens e eu vi a lua. Estava cheia, deve ter jantado bem, pensei eu com um sorriso, leve, na cara. Olhei para ela, tranquilo, e reparei que as nuvens, iluminadas pelo reflexo da luz solar que irradiava da lua branca, pareciam estar bastante perto de mim. O facto de a lua se situar bastante mais alto que as nuvens, dava-me essa sensação. Ou era impressão minha? Num acto involuntário, estiquei as mãos para cima, como se tentasse alcança-las. Sempre sonhei em tocar nas nuvens, em viver pelos céus. Será que é hoje que concretizo esse sonho? E as nuvens tornaram a tapa-la. Tal e qual como antes estavam, espessas, escuras e serradas. Baixei o braço e cruzei os braços no peito. Voltei para dentro, deitei-me na cama, e adormeci com o barulho da tempestade. Da última coisa que me lembro, era do barulho do gelo a bater nas portas e nos vidros da minha casa.
Sonhar é algo básico, humano, e obrigatório para a podermos viver saudavelmente. Sonhar, faz-nos ter ambição e desejos. Sonhar, faz-nos ter esperanças. Sonhar, faz-nos acreditar em algo. Sonhar, faz-nos ter uma imaginação e uma mentalidade mais aberta. Sonhar, faz-nos mais fortes. Sonhar, faz-nos aprender com os nossos erros. Sonhar, faz-nos ter novas perspectivas. Sonhar, faz-nos resolver problemas que não conseguimos fazer conscientemente. Sonhar, faz-nos apreender novas informações. Sonhar, faz-nos bem. Sonhar, é essencial ao ser humano. So, keep dreaming people. Not just because you should dream or want to dream, but particularly because you need it.
Sonhar é algo básico, humano, e obrigatório para a podermos viver saudavelmente. Sonhar, faz-nos ter ambição e desejos. Sonhar, faz-nos ter esperanças. Sonhar, faz-nos acreditar em algo. Sonhar, faz-nos ter uma imaginação e uma mentalidade mais aberta. Sonhar, faz-nos mais fortes. Sonhar, faz-nos aprender com os nossos erros. Sonhar, faz-nos ter novas perspectivas. Sonhar, faz-nos resolver problemas que não conseguimos fazer conscientemente. Sonhar, faz-nos apreender novas informações. Sonhar, faz-nos bem. Sonhar, é essencial ao ser humano. So, keep dreaming people. Not just because you should dream or want to dream, but particularly because you need it.
24/11/10
Sorriso.
Ela era simpática, honesta, sincera, inteligente, sonhadora, objectiva, calma, introvertida, bonita, baixa, branca, gorda. Já foi vítima de racismo e é vítima de bullying. Mas mesmo assim, ela é feliz.
Todos os dias, Constança, saía de casa às sete e meia da manhã, apanhava o autocarro que ficava na baixa da cidade, a vinte minutos a pé de sua casa, e ia para o trabalho. Apesar de ainda ter que apanhar o metro, o que roubava cerca de 15 minutos do seu tempo, o que lhe realmente a preocupava era o trajecto de sua casa à baixa.
Constança morava num bairro que, indo directamente ao assunto, era extremamente violento. Um bairro onde todas as paredes estavam sujas com desenhos, riscos, grafites, etc. Um bairro, onde não havia carros luxuosos que não fossem roubados. Um bairro, onde a maior parte das janelas estava partida. Um bairro, onde nada permanecia intacto durante muito tempo. Um bairro, só de pessoas de raça preta. Um bairro problemático, muito. Um bairro que era o inferno para ela, exclusivamente. Sim, ela tinha todo o privilégio do bairro, só para ela. Era a única branca do bairro, e isso era algo especial para os restantes moradores. Moradores, estes, que não deviam ser mais que cinquenta. Era um bairro muito pequeno, situado ao lado de uma estação de comboios antiga e abandonada e separada da baixa da cidade e das restantes populações. Não havia razão especial para tal facto, simplesmente assim o era.
Durante os últimos dois anos, Constança já tinha sido espancada cinco vezes, violada uma vez, tinha sido roubada mais de vinte vezes e teve a sua casa assaltada e um tanto destruída, duas vezes. Tinha uma vida muito agitada naquele bairro mas tinha decidido lá ficar. Não por ser masoquista, maluca, ou algo do género. Mas por acreditar que podia mudar a mente das pessoas que lhe fizeram tal mal. Por acreditar que era capaz de chamar as pessoas à razão. Por acreditar que aquelas pessoas são as que precisam de ajuda. Por acreditar ser a única pessoa que os poderia ajudar. E por essas razões todas, ela ficava no bairro que a maltratava.
(...)
- Olá branquinha. Há muito tempo que não te visitávamos, han? - disse o chefe de um grupo de delinquentes do bairro.
- Já tinha pensado exactamente no mesmo. - respondeu ironicamente Constança.
- E o que é que te vamos fazer hoje?
- Talvez nada? Deixarem-me ir para o trabalho? Ou até mesmo ouvirem o que tenho para vos dizer?
- Daqui não sais e nem te atrevas a começar a falar daquelas merdas todas como da outra vez! Corto-te a merda da garganta!
- Então corta, Nuno.
E ele cortou, sem hesitar. Era para isto que ele tinha sido criado, educado. Era para isto que ele saia todos os dias de casa com o seu gangue, sempre armado com facas e armas. Era para isto que ele tinha nascido.
Quando encontraram o corpo de Constança, ela estava morte. Deitada em cima de uma poça de sangue, com a garganta violentamente cortada, mas a sorrir.
A felicidade é algo que todos devemos alcançar. Seja um estado de mente, um estado físico ou até mesmo um sentimento. Seja como for, todos devemos ser felizes. E a felicidade pode ser encontrada em qualquer lugar, basta aceitarmos a nossa vida, tal como ela é. Os seus problemas, os seus obstáculos, as suas condicionantes, lutar pelos nossos sonhos e objectivos, etc. Era assim que Constança mantinha sempre um sorriso na cara. Ela era feliz e morreu feliz.
Ela era simpática, honesta, sincera, inteligente, sonhadora, objectiva, calma, introvertida, bonita, baixa, branca, gorda. Já foi vítima de racismo e é vítima de bullying. E mesmo assim, morreu feliz.
09/11/10
Lágrimas de Vento.
Joana estava em viagem com os pais e o seu irmão mais novo. Tinha vinte e dois anos e estudava na faculdade. Estava no último ano e, como metade dos semestres tinham que ser feitos em estágio, e na sua aldeia não havia esse possibilidade, decidiram mudar-se para a cidade. Já eram muitos anos a viajar duas horas, todos os dias, para chegar à Universidade, e muito dinheiro gasto. Agora, era preciso mudar.
Já estavam há hora e meia a viajar. Situavam-se a 100km da aldeia onde moravam à mais de trinta e cinco anos, e Joana já não suportava mais ver a paisagem que passava pela sua janela aberta do carro, tornar-se mais e mais moderna. Mecanizada. Ainda não tinha chegado à cidade e já gritava interiormente pelo seu querido campo. Aqueles campos verdes, castanhos, vermelhos, laranjas, brancos. Aquelas cores vivas da primavera e as mortas do outono. O branco celestial da neve invernal. A brisa quente do verão. Ah!, e aquele ar sempre tão puro! Os animais na quinta, as ruas vazias, os olhares sempre tão regalados com perfeitas paisagens, humildade nas pessoas, amor nos corações. Tudo no seu devido lugar. Eram coisas que a Joana nunca iria esquecer. Agora, seria ar poluído, prédios a encher a vista, impaciência e indelicadeza na boca das pessoas, ódio nos seus corações, barulhos repugnantes.
Ao pensar nisto, Joana deixou cair uma lágrima.
- Mana, estás a chorar? - Perguntou o seu irmão, bem mais novo.
- Está tudo bem filha? - Questionou, logo a seguir, a sua mãe.
- Estou estou mãe, foi só uma lágrima de vento.
Já estavam há hora e meia a viajar. Situavam-se a 100km da aldeia onde moravam à mais de trinta e cinco anos, e Joana já não suportava mais ver a paisagem que passava pela sua janela aberta do carro, tornar-se mais e mais moderna. Mecanizada. Ainda não tinha chegado à cidade e já gritava interiormente pelo seu querido campo. Aqueles campos verdes, castanhos, vermelhos, laranjas, brancos. Aquelas cores vivas da primavera e as mortas do outono. O branco celestial da neve invernal. A brisa quente do verão. Ah!, e aquele ar sempre tão puro! Os animais na quinta, as ruas vazias, os olhares sempre tão regalados com perfeitas paisagens, humildade nas pessoas, amor nos corações. Tudo no seu devido lugar. Eram coisas que a Joana nunca iria esquecer. Agora, seria ar poluído, prédios a encher a vista, impaciência e indelicadeza na boca das pessoas, ódio nos seus corações, barulhos repugnantes.
Ao pensar nisto, Joana deixou cair uma lágrima.
- Mana, estás a chorar? - Perguntou o seu irmão, bem mais novo.
- Está tudo bem filha? - Questionou, logo a seguir, a sua mãe.
- Estou estou mãe, foi só uma lágrima de vento.
13/10/10
Beauty&Ugliness
Há dias em que estamos calados, quietos, sossegados. Dias que não são out nem in. São. Mas estes dias, são, são um tipo de desafio à nossa própria natureza. Mostram-se, ao final de contas, misteriosos! Sabemos lá de onde vem tanta calma, tanta paz em grande plenitude, tanta sabedoria. Pelo menos, são assim estes meus dias. E sabem quais as necessidades que eu sinto nestes dias, únicos? Vontade de crescer e viver. Gosto de me fazer homem, e de acarretar com as suas responsabilidades. Gosto de perder 4 horas a ler textos e a sublinhar. Gosto de levar aos extremos os meus sentidos. Gosto de viver quase como se fosse o meu último dia da terra. E sim, um dia terei que o fazer realmente, pois um dia não terei amanhã.
Apesar de isto ser um texto, e não uma shot, eu decidi que tinha que o publicar neste blog. E, como senão bastasse tal contradição de vida, o título nem adequado está. Até agora, deviam pensar vocês. Sabem, é que nestes dias eu elevo a alma e deixo-a entrar no reflexo que o meu espelho esconde. Vejo corações e não caras. Vejo amor e não beleza. Vejo preocupação e não borbulhas. Vejo sorrisos puros e não aparelhos. Por natural que me pareça, eu gosto disto. Não me inibe de nada e empurra a minha vida para a frente. Uma vida de amor e compaixão e com pés para avançar! Como eu hoje disse, <<sabem, viver com amor é uma maneira de vida. Para tal, basta andar de coração em coração.>> assim o tentarei fazer. Só preciso de uns minutos de meditação e concentração. Saber que o dia me vai correr bem e afirmar que sou feliz com tudo o que tenho. Que amo o que a vida me deu e que não invejo o que ela me inibe de conter. E que nada haverá de superficialidades.
Eu sou aquilo que sou e que quero ser. Faço o meu destino e lido com o presente. O passado não foi esquecido, apenas não é recordado. A partir daqui, tudo será diferente.
Apesar de isto ser um texto, e não uma shot, eu decidi que tinha que o publicar neste blog. E, como senão bastasse tal contradição de vida, o título nem adequado está. Até agora, deviam pensar vocês. Sabem, é que nestes dias eu elevo a alma e deixo-a entrar no reflexo que o meu espelho esconde. Vejo corações e não caras. Vejo amor e não beleza. Vejo preocupação e não borbulhas. Vejo sorrisos puros e não aparelhos. Por natural que me pareça, eu gosto disto. Não me inibe de nada e empurra a minha vida para a frente. Uma vida de amor e compaixão e com pés para avançar! Como eu hoje disse, <<sabem, viver com amor é uma maneira de vida. Para tal, basta andar de coração em coração.>> assim o tentarei fazer. Só preciso de uns minutos de meditação e concentração. Saber que o dia me vai correr bem e afirmar que sou feliz com tudo o que tenho. Que amo o que a vida me deu e que não invejo o que ela me inibe de conter. E que nada haverá de superficialidades.
Eu sou aquilo que sou e que quero ser. Faço o meu destino e lido com o presente. O passado não foi esquecido, apenas não é recordado. A partir daqui, tudo será diferente.
Beauty is in the inside, ugliness is in the outside.
08/10/10
A Informação.
É uma vergonha não vos escrever nada durante um mês e sete dias, desculpem esta indesejada ousadia.
Hoje à tarde, mais precisamente na casa das 3h, eu estava situado na biblioteca municipal de Sintra. Estava a estudar física de 10ºano para um teste que vou ter na quarta. E, sendo hoje segunda, bom... estou um bocado apertado de tempo. Mas enfim, este reflexo não é sobre o estudo em si, mas sobre o que o estudo me proporcionou.
Ora bem, o que aconteceu foi complicadamente simples. Criou-me dúvidas ínfimas e estranhos sentimentos. Lá eu estava, sozinho, na biblioteca. "Sozinho", porque ainda lá pereciam as funcionárias e umas quantas alminhas estudiosas. À vista, é que eu não possuía ninguém. Ainda ouvia alguém a treinar flauta na sala da música e alguém do outro lado das estantes a escrever. Além disso, ouvia-se a trovoada a cair lá fora e a chuva a dançar nos vidros da biblioteca.
Eu já estava quase a acabar um exercício quando dei conta de que já não ouvia a flauta à algum tempo, e calculei que a pessoa se tivesse ido embora. Acabei o exercício e decidi esticar as pernas. Levantei-me e fui ao café. Pelo caminho, fui procurando pelas outras pessoas que eu pensava lá estarem. Nada, nem ninguém, a minha vista alcançou. Não achei estranho, também já eram sete e um quarto e o tempo não era o melhor. Enfim, lá me despachei no café, que também estava vazio, diga-se por passagem, e voltei à minha mesa. Só me faltavam dez exercícios e tinha a matéria teórica estudada e aplicada em todos os exercícios do livro. Voltei calmamente mas por outro caminho, para me verificar se estava realmente sozinho na biblioteca. E, entre as estantes que continham Affonso de Dornellas e Alexandre Andrade, estava um rapaz. Devia estar a estudar matemática, visto que estava a utilizar folhas quadriculadas. Sorri ao pensar que não era o único deprimente a gastar as suas tardes a estudar, enfiado numa biblioteca pública enquanto havia uma tempestade para lá das janelas e paredes. Voltei ao meu lugar e sentei-me. "Onde está o meu lápis", perguntei a mim mesmo. Não o via em lado nenhum.. "Ah, estavas aí!", afirmei ao descobri-lo na orelha enquanto coçava a cabeça. "Então e a borracha?", ela não estava em cima da mesa, nem nas orelhas... Olhei para o chão e "Como é que foste aí parar?" lá estava ela. Inclinei-me para a apanhar, estiquei-me todo e, quando estava quase a alcança-la, caí da cadeira. Coisa normal, para um descordenado como eu. "Só podia, não é?" pensei enquanto me ria, sentado no chão. "Bom, ao menos ninguém viu." e, enquanto me apoiava na mesa para me levantar, dei de caras com um post-it verde, em cima da mesa. "Mas que raio.., que é isto?" Eu não utilizo coisas daquelas, como é que está uma em cima da mesa? Levantei-me e reparei que o post-it tinha algo escrito. Depois de ler, desatei a correr à procura de quem poderia ter deixado lá o post-it. O rapaz já não se encontrava lá, o café tinha fechado, as funcionárias estavam lá fora a caminho dos seus carros e a única pessoa que restava, era o segurança que estava a começar a fechar as divisões. Mandou-me arrumar as coisas e sair porque a biblioteca ia fechar. Ele não sabia que eu ainda lá estava e acompanhou-me para se certificar que eu não ia tentar lá ficar escondido ou algo semelhante.
Até agora, só tenho acesso a uma informação. Uma informação caída do céu e trazida por um anjo. Uma informação secreta e preciosa para mim.
Now, my life is complete. Thank you, angel.
Hoje à tarde, mais precisamente na casa das 3h, eu estava situado na biblioteca municipal de Sintra. Estava a estudar física de 10ºano para um teste que vou ter na quarta. E, sendo hoje segunda, bom... estou um bocado apertado de tempo. Mas enfim, este reflexo não é sobre o estudo em si, mas sobre o que o estudo me proporcionou.
Ora bem, o que aconteceu foi complicadamente simples. Criou-me dúvidas ínfimas e estranhos sentimentos. Lá eu estava, sozinho, na biblioteca. "Sozinho", porque ainda lá pereciam as funcionárias e umas quantas alminhas estudiosas. À vista, é que eu não possuía ninguém. Ainda ouvia alguém a treinar flauta na sala da música e alguém do outro lado das estantes a escrever. Além disso, ouvia-se a trovoada a cair lá fora e a chuva a dançar nos vidros da biblioteca.
Eu já estava quase a acabar um exercício quando dei conta de que já não ouvia a flauta à algum tempo, e calculei que a pessoa se tivesse ido embora. Acabei o exercício e decidi esticar as pernas. Levantei-me e fui ao café. Pelo caminho, fui procurando pelas outras pessoas que eu pensava lá estarem. Nada, nem ninguém, a minha vista alcançou. Não achei estranho, também já eram sete e um quarto e o tempo não era o melhor. Enfim, lá me despachei no café, que também estava vazio, diga-se por passagem, e voltei à minha mesa. Só me faltavam dez exercícios e tinha a matéria teórica estudada e aplicada em todos os exercícios do livro. Voltei calmamente mas por outro caminho, para me verificar se estava realmente sozinho na biblioteca. E, entre as estantes que continham Affonso de Dornellas e Alexandre Andrade, estava um rapaz. Devia estar a estudar matemática, visto que estava a utilizar folhas quadriculadas. Sorri ao pensar que não era o único deprimente a gastar as suas tardes a estudar, enfiado numa biblioteca pública enquanto havia uma tempestade para lá das janelas e paredes. Voltei ao meu lugar e sentei-me. "Onde está o meu lápis", perguntei a mim mesmo. Não o via em lado nenhum.. "Ah, estavas aí!", afirmei ao descobri-lo na orelha enquanto coçava a cabeça. "Então e a borracha?", ela não estava em cima da mesa, nem nas orelhas... Olhei para o chão e "Como é que foste aí parar?" lá estava ela. Inclinei-me para a apanhar, estiquei-me todo e, quando estava quase a alcança-la, caí da cadeira. Coisa normal, para um descordenado como eu. "Só podia, não é?" pensei enquanto me ria, sentado no chão. "Bom, ao menos ninguém viu." e, enquanto me apoiava na mesa para me levantar, dei de caras com um post-it verde, em cima da mesa. "Mas que raio.., que é isto?" Eu não utilizo coisas daquelas, como é que está uma em cima da mesa? Levantei-me e reparei que o post-it tinha algo escrito. Depois de ler, desatei a correr à procura de quem poderia ter deixado lá o post-it. O rapaz já não se encontrava lá, o café tinha fechado, as funcionárias estavam lá fora a caminho dos seus carros e a única pessoa que restava, era o segurança que estava a começar a fechar as divisões. Mandou-me arrumar as coisas e sair porque a biblioteca ia fechar. Ele não sabia que eu ainda lá estava e acompanhou-me para se certificar que eu não ia tentar lá ficar escondido ou algo semelhante.
Até agora, só tenho acesso a uma informação. Uma informação caída do céu e trazida por um anjo. Uma informação secreta e preciosa para mim.
Now, my life is complete. Thank you, angel.
02/09/10
A bela da resposta.
Ao tentar explicar o que se passava comigo, eu escrevi-te uma carta. E, sinceramente, senti-me um pião sem pé com a tua resposta. Alguém sem sentido, ainda mais vazio.
"Mas como é que tu ainda não percebes-te que estou mal por falar contigo? Não é por me chamares de “amor”, “paixão”, “bebe”, seja o que for! Eu estou mal pelo simples acto de nós, eu e tu, falarmos. O meu ser já não sabe viver com tal coisa e eu, por muito que não pareça, estou a fazer um esforço para tal passar a acontecer! Não quero falar contigo ao mesmo tempo que só desejo voar daqui e cair à tua beira a contar-te todas as novidades. Só quero que sejas feliz com essas pessoas novas da tua vida, ao mesmo tempo que ainda te quero só para mim. Só te quero esquecer, apesar de todas as noites pensar em ti, nos momentos que tivemos e nos momentos que podemos vir a ter. Todos os erros que cometemos massacram-me a cabeça. Tudo o que não fizemos e podíamos ter feito, levam o meu coração à loucura. Tudo porque eu ainda te amo e não te vou conseguir esquecer. Tu queimas-te a minha pele e esta queimadura nunca irá sarar. Por agora preciso de tempo e muito espaço. És tu na terra e eu na lua. E mesmo assim não sei se chega! Quero estar o mais longe possível de ti para me reconstruir sem ti. Reaprender a respirar, a comer, a ver, a ouvir, a viver, sem ti. Lá quando o diabo é rei, eu mandar-te-ei uma fala minha para saber como estás e como eu estou. Para saber se já é altura de voltar a ser teu amigo, de voltar a ter-te na minha vida. E quando isso acontecer eu quero que sejas um acrescento à minha vida, não um suporte. Talvez te venhas a tornar num suporte, mas não o espero tão cedo. Eu só quero o meu bem, e não o teu mal. Se pelo caminho na busca da minha felicidade, eu te magoar, desculpa. Mas tem que ser. Primeiro eu, depois eu, a seguir eu, e só depois, talvez, tu. Agora é o meu tempo definitivo, aquele de que sempre precisei e só agora o estou a conceder. Não devias levar com ele porque não merecias, mas tem que ser, agora.
E a tua resposta calorosa foi "tu é que sabes. adeus".
É a isto que eu tenho que me agarrar? É isso que me queres dar? Ok, eu aceito. Mas hei-de retribuir, da mesma maneira.
19/08/10
Selo.
Regras.
1.º Descreve aquilo que te faz viver.
Como óbvio é, oxigénio é a base. Mas acima da base, há sempre algo. O que me faz viver é as coisas nas quais acreditos. Os meus sonhos, os meus desejos, os meus sentimentos, as minhas ambições, os meus sentimentos. A minha vida é vida graças a tudo isso, e muito mais.
2.º Oferecer o selinho.
1.º Descreve aquilo que te faz viver.
Como óbvio é, oxigénio é a base. Mas acima da base, há sempre algo. O que me faz viver é as coisas nas quais acreditos. Os meus sonhos, os meus desejos, os meus sentimentos, as minhas ambições, os meus sentimentos. A minha vida é vida graças a tudo isso, e muito mais.
2.º Oferecer o selinho.
Danó, (:
Qé, <3
E não mando a mais ninguém, pelos simples facto de que quem quiser pode tira-lo. A essas duas amigas nunca mandei um selo, e esse será o primeiro.
18/08/10
Our love is like a Pyramid.
Aquele teu assobio ainda ressoa nos meus ouvidos, sabes? Tantas vezes adormeci enroscado em ti enquanto assobiavas a nossa música ao meu ouvido. Isso e as tuas festas demoradas nos meus braços, nas minhas mãos. São duas coisas com as quais vivo, todas as noites. Lembranças impossíveis de esquecer, básicas de recordar, diariamente sentidas, e, únicas de partilhar. Foram momentos só nossos e de mais ninguém.
É verdade, sabes o que me marca acima de tudo? Pior que marca de nascença, pior que cicatriz, pior que tatuagem, pior que tudo? A tua marca de amor no meu pequeno coração. E essa marca começou a aparecer naquele momento quando me sussurras-te junto aos meus lábios:
Now I just wanna let you know
Earthquakes can't shake us
Cyclones can't break us
Hurricanes can't take away our love
Earthquakes can't shake us
Cyclones can't break us
Hurricanes can't take away our love
Pyramid, we built this on a solid rock
It feels just like it's heaven's touch
Together at the top, like a pyramid
And even when the wind is blowing
We'll never fall just keep on going
Forever we will stay, like a pyramid.
Eu amo-te e, enquanto não morrer, não te esquecerei. Espera-me aí, nas estrelas e que eu um dia estarei contigo.
Selo.
Ora bem, mais um selo (:
Este vem da Andreia.
´1.º Postar o selo e dizer quem o ofereceu. Andreia, uma nova amiga :b
2.º Responder às perguntas: Por onde gostarias de viajar? E com quem? Isso é uma pergunta que me fazem com regularidade e a resposta e quase sempre a mesma. Um dos meus sonhos é viajar pelo mundo. Não tenho lugares específicos, é só o mundo. A companhia é quem quiser juntar-se a mim. Família, amigos, desconhecidos, alguém.
2.º Responder às perguntas: Por onde gostarias de viajar? E com quem? Isso é uma pergunta que me fazem com regularidade e a resposta e quase sempre a mesma. Um dos meus sonhos é viajar pelo mundo. Não tenho lugares específicos, é só o mundo. A companhia é quem quiser juntar-se a mim. Família, amigos, desconhecidos, alguém.
3.º Oferecer o selo a três blogues, ou mais.
Mel, *.*
Suh, (:
Marta, toma :c
13/08/10
É preciso um novo começo.
Ele estava sentado a renovar a parede do seu quarto novo. Tinha acabado tudo com a namorada, mudou de cidade, mudou de casa, mudou a sua vida. Depois daquele relacionamento ter chegado ao fim, ele sabia que era uma boa oportunidade para mudar de ares. A sua família já tinha pensado em mudar e, sabe lá deus como, naquele preciso momento, decidiram mudar. Agora, já com a sua nova vida a começar, ele estava a assentar os pés na terra. Mudaram-se para longe, mas ainda perto da antiga cidade. Ainda não tinha feito amigos nenhuns, mas já tinha descoberto alguns dos seus vizinhos. Um em especial, mas isso é para outros dias. Agora é para desempacotar tudo o que outrora foi empacotado. Limpar a nova casa, pintar as paredes, tectos e o chão e, por fim, arrumar tudo no sítio. Era tudo como uma pequena metáfora da vida d’ele. Ele tinha uma vida desarrumada que não mudava por nada. As coisas eram sempre as mesmas, mas com uma nova jarra ou um novo lençol. Mas nada era completamente novo. E, por isso mesmo, farto daquela vida em rotina, ele decidiu dar uma volta de 249º. Acabou com a relação em que estava, que, diga-se por passagem, estava envenenada. Avisou quem tinha que avisar da sua nova morada e novos contactos, e partiu. Deixou tudo para trás, tudo o que era dele. Queria largar tudo da sua vida passada para continuar com a nova vida que lhe esperava.
Enquanto ouvia a sua música favorita, Hey Soul Sister dos Train, ele renovava o seu novo quarto. Ao inicio, estava semelhante ao antigo. As paredes pintadas de bege, e a porta castanha. Mas ele não estava para isso. Pegou nas latas de tinta e pintou uma parede de azul, uma de branco, uma de verde e a outra de laranja. Atirou com roxo para a porta e deixou o chão ficar pingado por todas as cores. O tecto, foi todo pintado de preto. Colou espelhos com todas as formas no tecto e uma bola de discoteca. Na porta colou um poster gigante dos Flyleaf. Na parede onde a cama ia ficar encostada, a laranja, nada fez. A parede pintada de azul, foi decorada com fotografias dos sítios onde queria ir em férias, viagens e sonhos. Desenhos fictícios, e coisas do género também lá foram colocados. Tudo juntamente com recortes de jornais, revistas, cadernos, e tudo o que tivesse algo que gostasse. Chegou a escrever frases com letras recortadas e coloca-las na mesma parede. A parede pintada de verde foi onde ficaram os móveis da roupa e um espelho gigante. E por fim, a parede que ficou pintada de branco ficou à espera da sua nova vida. Foi a parede escolhida para o novo, para o desconhecido.
As últimas palavras da música foram, por fim, cantadas por ele. Hey, hey, hey Tonight. Ele olhou para parede em branco, vazia, e levantou-se com um papel na mão. Besuntou o papel e a parede com cola e colou o pedaço de papel. Chegou-se para trás e apreciou o novo pedaço da sua nova vida. Era uma fotografia da sua nova rua, da sua nova casa, e da tal vizinha.
09/08/10
Um Sentimento Sem Nome.
Era uma vez...
...um sentimento negativo que adorava corroer o coração e a mente de cada pessoa. Bom, a hora dele atacar a nossa personagem principal, tinha chegado. Ele esperou que estivesse tudo calmo, sereno e na paz. Os guardas do portão estavam a festejar. Bebiam vinho de coco, comiam caroços de pêssegos e pão de milho. O povo já se tinha resguardado nas suas casas e o rei dormia. Era noite serrada e, por mero acaso, havia um nevoeiro leve. Era simples, esguio e fino. O sentimento, sem nome por agora, esperou mais um pouco. Esperou que os guardas digerissem os cento e trinta e nove jarros do famoso vinho e, após o álcool começar a fazer efeito, ele atacou. Correu em direcção aos guardas que estavam no primeiro portão e, com um golpe seco e lento, matou os três que lá estavam. Atingiu, muito certeiramente o coração deles. Roubou-lhes o porta-chaves com a forma de uma artéria, abriu a porta que estivera guardada pelos guardas e seguiu caminho. Chegando ao segundo portão, encontrou dez guardas. Três deles dormiam profundamente, dois riam e os outros cinco estavam sentados a comer o resto do pão. Agarrando-se às sombras, atirou pequenas manchas peganhentas de dor. Atingiu a cabeça dos que dormiam, e eles assim continuaram. A dormir e a sonhar os seus últimos sonhos. Os que riam foram engasgados por ódio. E os que comiam, envenenados por loucura foram. Ele nem teve que sair das sombras para conseguir limpar o sebo àqueles que se intitulavam guardas. Feliz da vida, ainda parou para roubar dois pedaços de pão e, claro, a chave. Estas tinham a forma de uma esfera com um buraco. Vamos lá, pensou ele. Abriu este portão, maior que o primeiro, e deparou-se com um caminho enorme, sinuoso e mortífero. Era um caminho feito num desfiladeiro com quilómetros de altura, construído com formas de S e, em cada curva encontrava-se um acampamento com guardas. Ora, duas, quatro, seis, oito, dez e doze. Doze curvas, doze acampamentos. O sentimento, ainda sem nome, sentou-se. Olhou para o caminho que tinha a percorrer, o último caminho antes do ataque final. Pensou na melhor estratégia para conseguir tirar todas aquelas pequenas pedrinhas do seu caminho, sem chamar a atenção do último acampamento. Se isso acontecesse, o alarme ia ser activado e ele não tinha outra hipótese senão a de utilizar o ultimate ataque fora da hora. Enquanto projectava a melhor maneira de cumprir o seu objectivo, olhou o céu e sorriu. O nevoeiro estava agora mais baixo. Mais denso, mais molhado, mais ameaçador. Ele estava disposto a ajudar o sentimento, ele queria matar. Agora, tudo estava pronto. A batalha final, estava prestes a começar. Ele começou a correr por aqueles caminhos estreitos e esburacados, enquanto por cima de si, a festa começava. Começou a cair um orvalho peganhento, e tudo escureceu ainda mais. Os guardas não se aperceberam de nada graças às suas fogueirinhas patéticas. O sem nome, corria e corria enquanto, lá em baixo, os guardas iam ficando isolados uns dos outros. Cada acampamento ia ficando cada vez mais longe do outro graças ao nevoeiro envolvente. O caminho descia até às profundezas daquele corpo e, de seguida, subia. Era suposto a sua forma dificultar a passagem de cada vírus, pensamento ou sentimento que tentasse entrar. Mas na realidade as coisas não eram assim. Aquele formato só estava a ajudar na infiltração. O primeiro acampamento estava a menos de vinte metros e tudo começou. Um punhal de medo foi atirado e todos os sete guardas se levantaram. Não se tinham apercebido do quão escuro estava e de que as coisas estavam completamente molhadas. Escorregaram e dois caíram pelo desfiladeiro. No medo e na confusão, três atiraram-se atrás dos outros. Os últimos corajosos, tiveram a sua morte garantida com um machado de angústia. Sempre em frente eles seguiram. Os dois juntos. Um na terra, outro no céu. Seguiram-se a morte de mais sessenta e três guardas e a recolha de nove chaves com pedaços irregulares que, por vezes, encaixavam-se. Era um puzzle. Faltavam só mais três peças, o que significa que faltavam três acampamentos. Uma bomba de perdição foi mandada com pedaços de água cristalizada. A água feriu alguns dos guardas e fez com que um cai-se na escuridão. A bomba teve o efeito desejado, e todos os outros sentiram-se perdidos. Estavam cegos pela saudade e guiados pelo desconhecido. Um a um, eles caminharam pelo desfiladeiro abaixo. A antepenúltima peça foi apanhada e a corrida continuou. Segundo acampamento, quinze guardas. Os coitados nem deram conta que já estavam mortos. Uma pitada de confusão serviu para fazer com que se matassem uns aos outros. Enquanto isso, apanhou-se a penúltima peça e continuaram caminho. Ainda se ouviam os gritos dos guardas a apunhalarem-se uns aos outros, mas nada os fez parar. Pararam a escassos metros do último acampamento. Este continha vinte e cinco guardas e sete cães. Devia ser a mais complicada luta, mas tornou-se a mais divertida. Fome para os cães, e cinco dos guardas foram comidos. Quatro dos cães foram abatidos, e os outros três fugiram com as carcaças na boca. Sobraram vinte guardas, pois os cães sem saberem para onde iam, pelo desfiladeiro caíram. Fúria, ódio, vingança e um rosmaninho de urticária. Tudo lançado em bombas, punhais, pedras e fumos. O nevoeiro lá comeu sete, desorientou quatro e petrificou cinco. Os quatro restantes, não aguentaram a pressão e os sentimentos sentidos. Feliz da vida, o nosso sentimento sem nome pegou na última peça do puzzle e juntou-a ao resto. Um coração foi formado. O nevoeiro dissipou-se o que permitiu ao sentimento ver o rasto de devastação que tinha deixado para trás. Uns bons metros abaixo dele, ainda se viam dois guardas a lutar pelas suas próprias vidas. Em frente. Encontrava-se o portão principal, o maior de todos, o único com cor. Um portão vermelho com uma fechadura em forma de coração. Ele sorriu, meteu a chave na ranhura que sempre lhe estivera destinada, e entrou. Agora, nada o podia deter para matar aquele ser. Aquele Humano cheio de felicidade, paz, amor. Ele percorreu todo o labirinto daquele coração até encontrar o seu centro. O sítio mais lindo e com mais sentimentos positivos no mundo inteiro. O cerne de um coração. O nosso sentimento estava mais que enjoado com tanta bondade, mas ele tinha que concluir o que tinha começado. Tirou do bolso traseiro um punhal de puro amor, e espetou-o no seu coração de ódio. Ele matou-se ali, a sangue frio. Enquanto tudo o que era vida fugia do seu corpo, ele sorria. Com as lágrimas pretas e secas a escorrerem-lhe pela cara sem rosto, escura, ele ia perdendo a sua vida. E com um último suspiro soltado, ele desapareceu. Num único segundo, desfez-se em pó e fumo. Mas era este o seu objectivo. Matar-se para que todo o mal que existia no mundo e contido na sua própria vida, se espalha-se naquele coração. Ódio, saudade, angústia, confusão, perdição, fome, mal-estar, enjoos, vingança, fúria, ciúme, medo, tristeza, ansiedade, preocupação, vergonha, vaidade, luxúria, indeterminação, gula, egoísmo, orgulho, mentira e morte. Todos esses sentimentos e muitos mais, começaram a destruir, bem lentamente, aquele perfeito coração.
Ando mesmo confuso com tanta coisa sentida, sabem? Preciso de um tempo, um espaço, um buraco sem sentimentos para poder pensar com clareza.
...um sentimento negativo que adorava corroer o coração e a mente de cada pessoa. Bom, a hora dele atacar a nossa personagem principal, tinha chegado. Ele esperou que estivesse tudo calmo, sereno e na paz. Os guardas do portão estavam a festejar. Bebiam vinho de coco, comiam caroços de pêssegos e pão de milho. O povo já se tinha resguardado nas suas casas e o rei dormia. Era noite serrada e, por mero acaso, havia um nevoeiro leve. Era simples, esguio e fino. O sentimento, sem nome por agora, esperou mais um pouco. Esperou que os guardas digerissem os cento e trinta e nove jarros do famoso vinho e, após o álcool começar a fazer efeito, ele atacou. Correu em direcção aos guardas que estavam no primeiro portão e, com um golpe seco e lento, matou os três que lá estavam. Atingiu, muito certeiramente o coração deles. Roubou-lhes o porta-chaves com a forma de uma artéria, abriu a porta que estivera guardada pelos guardas e seguiu caminho. Chegando ao segundo portão, encontrou dez guardas. Três deles dormiam profundamente, dois riam e os outros cinco estavam sentados a comer o resto do pão. Agarrando-se às sombras, atirou pequenas manchas peganhentas de dor. Atingiu a cabeça dos que dormiam, e eles assim continuaram. A dormir e a sonhar os seus últimos sonhos. Os que riam foram engasgados por ódio. E os que comiam, envenenados por loucura foram. Ele nem teve que sair das sombras para conseguir limpar o sebo àqueles que se intitulavam guardas. Feliz da vida, ainda parou para roubar dois pedaços de pão e, claro, a chave. Estas tinham a forma de uma esfera com um buraco. Vamos lá, pensou ele. Abriu este portão, maior que o primeiro, e deparou-se com um caminho enorme, sinuoso e mortífero. Era um caminho feito num desfiladeiro com quilómetros de altura, construído com formas de S e, em cada curva encontrava-se um acampamento com guardas. Ora, duas, quatro, seis, oito, dez e doze. Doze curvas, doze acampamentos. O sentimento, ainda sem nome, sentou-se. Olhou para o caminho que tinha a percorrer, o último caminho antes do ataque final. Pensou na melhor estratégia para conseguir tirar todas aquelas pequenas pedrinhas do seu caminho, sem chamar a atenção do último acampamento. Se isso acontecesse, o alarme ia ser activado e ele não tinha outra hipótese senão a de utilizar o ultimate ataque fora da hora. Enquanto projectava a melhor maneira de cumprir o seu objectivo, olhou o céu e sorriu. O nevoeiro estava agora mais baixo. Mais denso, mais molhado, mais ameaçador. Ele estava disposto a ajudar o sentimento, ele queria matar. Agora, tudo estava pronto. A batalha final, estava prestes a começar. Ele começou a correr por aqueles caminhos estreitos e esburacados, enquanto por cima de si, a festa começava. Começou a cair um orvalho peganhento, e tudo escureceu ainda mais. Os guardas não se aperceberam de nada graças às suas fogueirinhas patéticas. O sem nome, corria e corria enquanto, lá em baixo, os guardas iam ficando isolados uns dos outros. Cada acampamento ia ficando cada vez mais longe do outro graças ao nevoeiro envolvente. O caminho descia até às profundezas daquele corpo e, de seguida, subia. Era suposto a sua forma dificultar a passagem de cada vírus, pensamento ou sentimento que tentasse entrar. Mas na realidade as coisas não eram assim. Aquele formato só estava a ajudar na infiltração. O primeiro acampamento estava a menos de vinte metros e tudo começou. Um punhal de medo foi atirado e todos os sete guardas se levantaram. Não se tinham apercebido do quão escuro estava e de que as coisas estavam completamente molhadas. Escorregaram e dois caíram pelo desfiladeiro. No medo e na confusão, três atiraram-se atrás dos outros. Os últimos corajosos, tiveram a sua morte garantida com um machado de angústia. Sempre em frente eles seguiram. Os dois juntos. Um na terra, outro no céu. Seguiram-se a morte de mais sessenta e três guardas e a recolha de nove chaves com pedaços irregulares que, por vezes, encaixavam-se. Era um puzzle. Faltavam só mais três peças, o que significa que faltavam três acampamentos. Uma bomba de perdição foi mandada com pedaços de água cristalizada. A água feriu alguns dos guardas e fez com que um cai-se na escuridão. A bomba teve o efeito desejado, e todos os outros sentiram-se perdidos. Estavam cegos pela saudade e guiados pelo desconhecido. Um a um, eles caminharam pelo desfiladeiro abaixo. A antepenúltima peça foi apanhada e a corrida continuou. Segundo acampamento, quinze guardas. Os coitados nem deram conta que já estavam mortos. Uma pitada de confusão serviu para fazer com que se matassem uns aos outros. Enquanto isso, apanhou-se a penúltima peça e continuaram caminho. Ainda se ouviam os gritos dos guardas a apunhalarem-se uns aos outros, mas nada os fez parar. Pararam a escassos metros do último acampamento. Este continha vinte e cinco guardas e sete cães. Devia ser a mais complicada luta, mas tornou-se a mais divertida. Fome para os cães, e cinco dos guardas foram comidos. Quatro dos cães foram abatidos, e os outros três fugiram com as carcaças na boca. Sobraram vinte guardas, pois os cães sem saberem para onde iam, pelo desfiladeiro caíram. Fúria, ódio, vingança e um rosmaninho de urticária. Tudo lançado em bombas, punhais, pedras e fumos. O nevoeiro lá comeu sete, desorientou quatro e petrificou cinco. Os quatro restantes, não aguentaram a pressão e os sentimentos sentidos. Feliz da vida, o nosso sentimento sem nome pegou na última peça do puzzle e juntou-a ao resto. Um coração foi formado. O nevoeiro dissipou-se o que permitiu ao sentimento ver o rasto de devastação que tinha deixado para trás. Uns bons metros abaixo dele, ainda se viam dois guardas a lutar pelas suas próprias vidas. Em frente. Encontrava-se o portão principal, o maior de todos, o único com cor. Um portão vermelho com uma fechadura em forma de coração. Ele sorriu, meteu a chave na ranhura que sempre lhe estivera destinada, e entrou. Agora, nada o podia deter para matar aquele ser. Aquele Humano cheio de felicidade, paz, amor. Ele percorreu todo o labirinto daquele coração até encontrar o seu centro. O sítio mais lindo e com mais sentimentos positivos no mundo inteiro. O cerne de um coração. O nosso sentimento estava mais que enjoado com tanta bondade, mas ele tinha que concluir o que tinha começado. Tirou do bolso traseiro um punhal de puro amor, e espetou-o no seu coração de ódio. Ele matou-se ali, a sangue frio. Enquanto tudo o que era vida fugia do seu corpo, ele sorria. Com as lágrimas pretas e secas a escorrerem-lhe pela cara sem rosto, escura, ele ia perdendo a sua vida. E com um último suspiro soltado, ele desapareceu. Num único segundo, desfez-se em pó e fumo. Mas era este o seu objectivo. Matar-se para que todo o mal que existia no mundo e contido na sua própria vida, se espalha-se naquele coração. Ódio, saudade, angústia, confusão, perdição, fome, mal-estar, enjoos, vingança, fúria, ciúme, medo, tristeza, ansiedade, preocupação, vergonha, vaidade, luxúria, indeterminação, gula, egoísmo, orgulho, mentira e morte. Todos esses sentimentos e muitos mais, começaram a destruir, bem lentamente, aquele perfeito coração.
Ando mesmo confuso com tanta coisa sentida, sabem? Preciso de um tempo, um espaço, um buraco sem sentimentos para poder pensar com clareza.
22/07/10
Uma história por esquecer.
Sabes, nunca me vou esquecer. Foram dias que, como que obrigados pelo universo, ficaram gravados nas minhas moléculas do meu cérebro. Mais propriamente na minha memória. Foram dias de horror, de pena, de angústia, de amores, de alegrias, de sentimentos misturados. Começaram por ser como um filme romântico, depois de comédia. De seguida drama e suspense. Por fim, de terror. Vai na volta e sempre foi um filme de terror, eles sempre têm coisas boas. Coisas que não indicam ser um filme de terror até chegarem aqueles sons estranhos, as pessoas desaparecidas, as cidades desertas, os telefonemas em anónimo, as mortes.
Hei-de continuar a viver, sem dúvida. Mas sempre com aquele medo peganhento de que tudo pode voltar a acontecer. Ora, não somos nós que escolhemos os filmes, eles é que nos escolhem a nós.
Hei-de continuar a viver, sem dúvida. Mas sempre com aquele medo peganhento de que tudo pode voltar a acontecer. Ora, não somos nós que escolhemos os filmes, eles é que nos escolhem a nós.
12/07/10
Um Segredo.
Óbvio que eu nunca lhe vou dizer que sou eu. Não posso dizer, não posso, não posso, não posso. E mesmo que pudesse como é que dizia ?! Olá, eu sou o Alexandre mas não nos conhecemos. Quer dizer, eu conheço'te, mas tu não me conheces. Temos algumas aulas juntos, mas acho que nunca reparas'te em mim. Bom, tanta coisa para te dizer que sou eu o teu anónimo. Aquele que te escreve cartas todos os dias. Aquele que te manda flores, chocolates e aqueles carrinhos em miniatura que tu tanto adoras pelo correio. Sou eu. Que estupidez! Ela certamente ia'me dar uma estalada e chamar'me perverso ou uma merda qualquer! Não posso mesmo dizer'lhe que sou eu.. Mas ela parece ficar tão contente com isto tudo.. E a Joana até disse que ela amava conhecer o seu anónimo.. que o que ele fazia era lindo e perfeito e que devia ser um rapaz tão querido e amoroso! Mas se ela soubesse que era eu.. um simples lá da escola. Não um desportista mas um gajo normal, sem músculos definidos, sem beleza estonteante, sem um cérebro oco.. Enfim, não sei o que fazer.. Acho que o melhor é acabar de escrever esta carta e por no correio, pode ser que dê em alguma coisa boa.
(...) E mais uma vez, não te esqueças, que eu estou sempre perto de ti. Lembra'te de que serei quem menos esperas, e o dia da revelação está a chegar. Com um beijo cheio de amora e uma carícia nessa tua cara radiante, eu me despeço. Do teu anónimo, aquele que te ama em segredo.
(...) E mais uma vez, não te esqueças, que eu estou sempre perto de ti. Lembra'te de que serei quem menos esperas, e o dia da revelação está a chegar. Com um beijo cheio de amora e uma carícia nessa tua cara radiante, eu me despeço. Do teu anónimo, aquele que te ama em segredo.
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