09/11/10

Lágrimas de Vento.

Joana estava em viagem com os pais e o seu irmão mais novo. Tinha vinte e dois anos e estudava na faculdade. Estava no último ano e, como metade dos semestres tinham que ser feitos em estágio, e na sua aldeia não havia esse possibilidade, decidiram mudar-se para a cidade. Já eram muitos anos a viajar duas horas, todos os dias, para chegar à Universidade, e muito dinheiro gasto. Agora, era preciso mudar.
Já estavam há hora e meia a viajar. Situavam-se a 100km da aldeia onde moravam à mais de trinta e cinco anos, e Joana já não suportava mais ver a paisagem que passava pela sua janela aberta do carro, tornar-se mais e mais moderna. Mecanizada. Ainda não tinha chegado à cidade e já gritava interiormente pelo seu querido campo. Aqueles campos verdes, castanhos, vermelhos, laranjas, brancos. Aquelas cores vivas da primavera e as mortas do outono. O branco celestial da neve invernal. A brisa quente do verão. Ah!, e aquele ar sempre tão puro! Os animais na quinta, as ruas vazias, os olhares sempre tão regalados com perfeitas paisagens, humildade nas pessoas, amor nos corações. Tudo no seu devido lugar. Eram coisas que a Joana nunca iria esquecer. Agora, seria ar poluído, prédios a encher a vista, impaciência e indelicadeza na boca das pessoas, ódio nos seus corações, barulhos repugnantes.
Ao pensar nisto, Joana deixou cair uma lágrima.
- Mana, estás a chorar? - Perguntou o seu irmão, bem mais novo.
- Está tudo bem filha? - Questionou, logo a seguir, a sua mãe.
- Estou estou mãe, foi só uma lágrima de vento.