12/07/10

Um Segredo.

Óbvio que eu nunca lhe vou dizer que sou eu. Não posso dizer, não posso, não posso, não posso. E mesmo que pudesse como é que dizia ?! Olá, eu sou o Alexandre mas não nos conhecemos. Quer dizer, eu conheço'te, mas tu não me conheces. Temos algumas aulas juntos, mas acho que nunca reparas'te em mim. Bom, tanta coisa para te dizer que sou eu o teu anónimo. Aquele que te escreve cartas todos os dias. Aquele que te manda flores, chocolates e aqueles carrinhos em miniatura que tu tanto adoras pelo correio. Sou eu. Que estupidez! Ela certamente ia'me dar uma estalada e chamar'me perverso ou uma merda qualquer! Não posso mesmo dizer'lhe que sou eu.. Mas ela parece ficar tão contente com isto tudo.. E a Joana até disse que ela amava conhecer o seu anónimo.. que o que ele fazia era lindo e perfeito e que devia ser um rapaz tão querido e amoroso! Mas se ela soubesse que era eu.. um simples lá da escola. Não um desportista mas um gajo normal, sem músculos definidos, sem beleza estonteante, sem um cérebro oco.. Enfim, não sei o que fazer.. Acho que o melhor é acabar de escrever esta carta e por no correio, pode ser que dê em alguma coisa boa.

(...) E mais uma vez, não te esqueças, que eu estou sempre perto de ti. Lembra'te de que serei quem menos esperas, e o dia da revelação está a chegar. Com um beijo cheio de amora e uma carícia nessa tua cara radiante, eu me despeço. Do teu anónimo, aquele que te ama em segredo.